Os resultados foram controversos: ora a relação entre estresse e consumo de álcool se mostrava positiva, ora se mostrava negativa e, algumas vezes sequer foi notada. Os resultados também são controversos, quando o foco de estudo é o estresse no trabalho e sua relação com consumo de álcool. Contudo, pesquisas mais recentes referm que a relação entre estresse no trabalho e uso de álcool é indireta e intermediada por uma série de fatores.
Pesquisadores holandeses analisaram como as condições de risco corporal no trabalho, os aumentos de demanda funcional, controle sobre o trabalho realizado e apoio de colegas influenciou no uso de álcool por 18.973 trabalhadores entre 15 e 74 anos.
Os resultados mostraram que os trabalhadores submetidos a condições adversas no ambiente de trabalho tenderam a fazer uso abusivo de álcool. Os entrevistados que eram submetidos a condições de elevado risco corporal, consumiram álcool de maneira abusiva (>21 doses de álcool/semana para homens e >14 doses/semana álcool para mulheres). No caso exclusivo dos homens, houve aumento também do uso de álcool no padrão binge (> 6 doses de álcool por ocasião nos últimos 6 meses).
As mulheres que foram submetidas a aumento na demanda funcional de trabalho apresentaram aumento no uso abusivo de álcool. Os homens, contudo, quando submetidos a um aumento na demanda funcional de trabalho acusaram uma diminuição na frequência de uso binge de álcool. Os entrevistados que foram submetidos a condições adversas de trabalho tenderam a consumir álcool de maneira abusiva.
Há diferentes explicações para o aumento no uso de álcool entre os sujeitos submetidos a condições adversas no ambiente de trabalho. Este aumento pode ocorrer pelo aumento nos índices de estresse. É possível também que o aumento do uso de álcool faça parte de uma “cultura ocupacional”, por meio da qual os trabalhadores colegas de uma mesma categoria compartilham vocabulário, comportamento e hábitos de consumo de álcool em comum.
Concluindo, os autores sugerem que os programas de prevenção tenham preocupações com situações que envolvam condições adversas de trabalho.
Fonte:CISA - Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool

Garota bebe em festival de música nos EUA (Foto: Lucy Nicholson/Reuters)
Após analisar dados entre 1891 e 2001 em todo o mundo, estudo concluiu que os problemas resultantes do abuso da bebida também já afetam as mulheres quase na mesma medida que os homens.
James Gallagher
Da BBC
As mulheres estão consumindo álcool praticamente na mesma quantidade que os homens - e sentindo os seus efeitos na saúde na mesma intensidade -, de acordo com um estudo conduzido pela Universidade de New South Wales, na Austrália.
A análise se baseou em dados sobre pessoas nascidas entre 1891 e 2001 em todo o mundo, mas provenientes, em sua maioria, da Europa e da América do Norte.
A pesquisa identificou uma mudança substancial nos hábitos desde o início do século 20 até os dias de hoje.
Na geração atual, segundo o estudo, os homens consomem apenas 10% mais álcool do que as mulheres, enquanto no começo dos anos 1900 eles consumiam mais que o dobro (2,2 vezes) do álcool consumido por elas.
Como consequência, os impactos na saúde das mulheres também se assemelha ao que ocorre entre os homens.
Os homens do início do século passado costumavam beber em níveis problemáticos três vezes mais frequentemente que as mulheres. Hoje em dia, essa diferença passou para apenas 1,2 vez.
Alám disso, a população masculina costumava ser 3,6 vezes mais suscetível a problemas de saúde decorrentes do consumo de álcool, como cirrose hepática. Agora, os homens são suscetíveis a esses problemas apenas 1,3 vez mais do que as mulheres.
Mudança social
Os pesquisadores consideram que parte da guinada em direção à paridade pode ser explicada pela mudança nos papéis exercidos por homens e mulheres na sociedade.
Segundo o professor Mark Petticrew, da London School of Hygiene and Tropical Medicine, o aumento da disponibilidade da bebida no mercado e a publicidade de álcool voltada para mulheres - especialmente as mais jovens - também são fatores importantes.
"O consumo de álcool e os problemas relacionados a ele eram historicamente vistos como um fenômeno masculino," alerta Petticrew.
Já não são mais, diz o pesquisador. Por isso, o estudo recomenda que os esforços para moderar o consumo de álcool e reduzir os problemas decorrentes desse abuso sejam também direcionados ao público feminino.
"Os profissionais de saúde precisam ajudar as pessoas – tanto homens quanto mulheres – a compreender os riscos do consumo de álcool e saber como reduzir os seus efeitos maléficos," afirma o professor.
Fonte: Bem Estar G1