quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Cuidado com as garotas!




(imagem reprodução)
Jairo Bouer
Estudos mostram que garotas mais jovens parecem hoje muito mais vulneráveis a transtornos emocionais que podem provocar impactos importantes na saúde e comportamento

Novos trabalhos divulgados na última semana mostram a necessidade de cuidados e atenção redobrados com as garotas mais jovens. Esse grupo parece hoje muito mais vulnerável a transtornos emocionais que podem provocar impactos importantes na saúde e no comportamento.

O primeiro estudo aponta que garotas com déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) apresentam maior risco de desenvolver transtornos mentais. Essa condição elevaria a chance de problemas como gravidez na adolescência, pior desempenho na escola e abuso de drogas. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), nos EUA, avaliaram trabalhos anteriores com cerca de 2 mil garotas de 8 a 13 anos: 40% delas tinham diagnóstico de TDAH. Ansiedade, depressão, transtorno desafiador opositivo (raiva, hostilidade, dificuldade de lidar com regras), distúrbios de conduta e violência foram mais comuns entre essas meninas do que naquelas que não tinham sintomas de TDAH. Os dados foram publicados no periódico médico Pediatrics.

Segundo os especialistas, é mais difícil diagnosticar TDAH nas meninas. Em geral, elas apresentam menos sintomas de hiperatividade do que os garotos. Em contrapartida, sinais de falta de atenção são frequentes. Se um acompanhamento cuidadoso for feito desde cedo, é mais fácil monitorar e controlar melhor as eventuais dificuldades emocionais e, portanto, reduzir os riscos para a vida dessas garotas.

Outra pesquisa da última semana, feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), revela que as adolescentes britânicas estão se tornando o grupo com mais problemas com o álcool. Elas apresentam risco duas vezes maior do que os garotos de se embriagar. Um terço delas já ficou “de porre” pelo menos duas vezes antes dos 15 anos. Além delas, apenas as garotas suecas e canadenses bebem mais do que os meninos. Nos demais países, os garotos ainda ingerem mais álcool. Os dados foram divulgados pelo jornal inglês Daily Mail.

Os números contrastam com tendências apontadas por outros trabalhos atuais, que sugerem uma queda do consumo de álcool entre os menores nos países desenvolvidos, já que eles estariam ficando cada vez mais tempo em suas casas, usando redes sociais, do que na rua, bebendo com os amigos. É importante lembrar que, quanto mais cedo se inicia o contato com o álcool, maiores os riscos de padrões complicados de uso, como o abuso (tomar porres, por exemplo) e a dependência.

Juntando os dois trabalhos citados, percebe-se que as garotas com mais questões emocionais, como as que apresentam depressão, ansiedade e dificuldades de adaptação, correm maior risco de abusar da bebida. E, como se sabe, o álcool acaba impactando diversos campos da vida do jovem, como desempenho escolar, exposição à violência, uso de cigarro, experiência com outras drogas e comportamento sexual de risco, entre outros.

Outro estudo, divulgado pelo Sistema Nacional de Saúde (NHS Digital) do Reino Unido, também na última semana, mostra que as mulheres mais jovens, de 16 a 24 anos, são três vezes mais propensas do que os homens da mesma faixa etária a desenvolver transtornos mentais, como depressão e automutilação. Uma em cada quatro delas vai enfrentar essas questões ao longo da vida. Os dados foram publicados pelo jornal Daily Mail.

As mesmas redes sociais, que poderiam em teoria proteger as jovens do abuso de álcool, são também grandes vilãs para a saúde emocional dessas meninas, que passam a se comparar o tempo todo com as colegas e sentem fortes pressões para estar sempre bem. O isolamento, o pessimismo e a dificuldade em lidar com problemas acabam minando a autoestima e o bem-estar dessas garotas. Lógico que as redes sociais não são as únicas responsáveis. Outras questões, como desemprego, crise econômica, problemas familiares, exclusão social e machismo, entre outras, também colocam uma carga extra sobre essas meninas hoje. E quem sofre mais acaba bebendo mais!

Os resultados mostram o quanto é importante que os pais e as escolas possam avaliar com frequência o estado psíquico das garotas e procurar ajuda quando necessário. É uma forma de tentar garantir mais saúde e qualidade de vida para essa jovem população feminina hoje mais vulnerável.
Fonte: Estadão Saúde

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Pesquisa: cerca de 3 entre 10 mortes por câncer nos EUA podem ser atribuídas ao cigarro


 


Jornal Extra - Globo
(imagem reprodução)
RIO - Nos Estados Unidos, 167.133 mortes por câncer — 27,6% do total de óbitos pela doença — em 2014 podem ser atribuídas ao fumo de cigarro. O dado foi revelado, nesta segunda-feira, na versão online do periódico científico “JAMA Internal Medicine” em um estudo na Sociedade Americana de Câncer que relaciona também os indicadores por gênero, estado e etnia.

Os autores alertam que os dados para óbitos relacionados ao fumo são subestimados, não apenas pela subnotificação das informações utilizadas: incluem apenas adultos com mais de 35 anos; consideram apenas 12 tipos de câncer; e, finalmente, não englobam o fumo passivo.

A estimativa é que, hoje, existam 40 milhões de fumantes adultos ativos nos Estados Unidos. Os autores apontam que o uso do cigarro permanece sendo a maior causa evitável para mortes por câncer e outras doenças.

Das mortes consideradas, 103.609 ocorreram entre homens (62%) e 63.524 (38%) entre mulheres. Segundo os pesquisadores, a diferença de gênero acontece pela prevalência do fumo entre homens nas gerações mais velhas — o que pode diminuir com o passar das gerações, refletindo dados recentes que mostram uma paridade no uso.

A proporção dos óbitos por câncer atribuídos ao fumo variou de acordo com o estado, mas aqueles no Sul do país se destacaram, chegando a 40% entre os homens em alguns deles. No gênero masculino, 9 dos 10 estados com mais mortes eram do Sul e, entre as mulheres, 6 entre 10. A pesquisa aponta a prevalência histórica do tabagismo na região, e que hoje se associa a políticas de controle do cigarro mais fracas, além de um perfil socioeconômico mais baixo — que se relaciona ao uso mais frequente.
Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas
Nacionalmente, negros não-hispânicos tiveram a maior incidência de morte por câncer atribuída ao cigarro (27,2%), seguidos de brancos não-hispânicos (26%) e hispânicos (19,8%).

Na conclusão do estudo, a equipe de cientistas recomenda um fortalecimento no controle do tabaco pelo governo como forma de reduzir as mortes por câncer em todos os estados.

A pesquisa, liderada pela doutora Joannie Lortet-Tieulent, usou dados estaduais, além do Distrito de Columbia (onde fica a capital federal, Washington D.C), sobretudo a partir do Sistema de Monitoramento de Fatores de Risco.
Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas