Comissão de deputados visita Cratod de SP para conhecer trabalho de internação de dependentes de crack
Agência Brasil
Uma comissão externa formada por 13 deputados federais que acompanham a questão das ações de políticas públicas para álcool e drogas na Câmara dos Deputados visitou, na tarde de hoje (8), o Centro de Referência de Álcool, Tabaco e Outras Drogas (Cratod), localizado na região central de São Paulo.
O resultado da visita, segundo os deputados, servirá de base para a votação do projeto de lei que propõe a criação do Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas.
Nesta quarta-feira (10), o Projeto de Lei (PL) 7.663, de 2010, proposto pelo deputado Osmar Terra (PMDB-RS), deverá ser votado em plenário. A proposta pode ser acessada pelo site da Câmara dos Deputados. Segundo o relator do projeto e presidente da comissão externa, deputado Givaldo Carimbão (PSB-AL), existe a expectativa de o projeto ser aprovado. “Está na pauta em regime de urgência”, ressaltou.
“Está na lei a questão da internação voluntária. Por isso, era importante conhecer a forma como São Paulo está desenvolvendo esta política”, disse Carimbão, após participar da visita no Cratod e de uma reunião no local com a participação da secretária estadual de Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, e representantes do Poder Judiciário, do Cratod, da Ordem dos Advogados do Brasil e do Ministério Público.
A internação involuntária é aquela que é feita a pedido da família, sem consentimento do paciente. A proposta dos deputados é que a internação involuntária passe a ser prevista na nova lei. “O Cratod é a porta de entrada [de pessoas que procuram a internação involuntária de parentes], mas daqui é distribuído em vários serviços. A internação involuntária precisa ser acompanhada porque será votada na Câmara Federal. Já existe a lei [para internação involuntária], mas ela está na Lei de Saúde Mental. E nós queremos tirá-la da Lei de Saúde Mental para colocá-la na política sobre drogas”, explicou o deputado.
A intenção, segundo Carimbão, é que a internação ocorra por um período até seis meses. Os recursos para isso viriam, segundo ele, de duas formas: “Na questão da internação, ela viria do SUS [Sistema Único de Saúde]. É uma questão hospitalar, clínica-paciente. Já no acolhimento voluntário, das comunidades terapêuticas, não pode ser involuntária. E aí viria de recurso da Senad [Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas]”, explicou o deputado.
Algumas pessoas que buscavam hoje internação involuntária no Cratod foram ouvidas pela Agência Brasil. Uma delas, a advogada Solange Benedita de Souza, tentava uma internação para o filho de uma cliente. “Isso [o projeto do governo estadual que prevê a internação involuntária] é muito interessante na teoria, mas na prática não está sendo de acordo como a gente espera”, disse. Para ela, falta agilidade nos encaminhamentos para as internações. “Temos que ter agilidade. Deveriam ser nomeados mais juízes para decidir sobre as internações e fazer os despachos]”, completou.
Victor*, 23 anos, dependente de crack há três anos reclamou da dificuldade para conseguir a internação. “Comecei no crack, por meio de um primo e de um amigo. Vim aqui [no Cratod] para ser internado. Mas disseram que eu não sou da região [central] e que estão sem vagas”. Victor disse ainda que sua família pretende ainda insistir na sua internação por meio do Cratod, mas se não for possível, vai procurar outra alternativa. “Ninguém merece viver essa vida. No meu caso, eu roubo e fico muitos dias fora de casa. Infelizmente, todos os dias você corre risco de morte”. Disse. “Quero agora ter uma vida digna: trabalho, felicidade, mulher”, completou.
*Lauro, de 23 anos, começou a usar drogas com 16 anos, por opção. Atendido pelo Cratod, ele defendeu a ampliação do centro pois a procura é muito grande. “Meu problema não é aqui no Cratod, onde me atendem bem. O governo está fazendo um bom serviço. O problema é que é muito usuário e muita gente para eles darem conta. Podia abrir outro Cratod, por exemplo. E se tivesse mais funcionários, ficaria melhor”, disse Lauro, que manifestou o desejo de se livrar do vício. “[Quero] ter minha casa, pagar o aluguel e levar uma vida normal como qualquer cidadão”.
A secretária de Justiça, Eloisa de Sousa Arruda, explicou, após a reunião, que o Cratod não é um local de internação. “Ele é local de acolhimento inicial e de encaminhamento para vagas de internação. O que existe, por vezes, é uma desinformação das pessoas ou uma frustração do que elas pensam que é o correto. Algumas pessoas chegam aqui dizendo: ´quero internar o meu filho´. Mas nem sempre é um caso de internação. Pode ser que a pessoa seja submetida a um atendimento ambulatorial. Não houve, até o momento, desde janeiro até agora, nenhum caso de, sendo necessária uma internação hospitalar, a pessoa sair daqui frustrada”, explicou a secretária.
Pela manhã, a comissão de deputados esteve com o governador Geraldo Alckmin. "Tivemos uma boa conversa. Os deputados estão, esta semana, em discussão do projeto de lei importantíssimo sobre a matéria e vão visitar o Cratod, que é uma experiência inédita no país", disse o governador, que anunciou que São Paulo vai ganhar mais um hospital especializado em drogas. Ele vai funcionar em Botucatu. Alckmin disse ainda que desde 21 de janeiro, 503 internações foram feitas em São Paulo, sendo 38 involuntárias e 456 voluntárias.
Os números são um pouco diferentes dos que foram divulgados na parte da tarde pela secretária Eloisa Arruda. De acordo com ela, só no Cratod foram encaminhadas 360 internações voluntárias e 40 involuntárias desde janeiro. “Isso não quer dizer que não haja, nos nossos equipamentos de saúde espalhados em todo o estado, outros dados”, explicou.
Segundo a secretária, ainda não ocorreu nenhum caso de internação compulsória, ou seja, por autorização de juiz, em São Paulo. “O fato de não ter havido dados de pessoas para serem internadas compulsoriamente é entendido como sendo um dado positivo porque a internação compulsória é a última etapa do processo”, disse.
Fonte: site antidrogas.com
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Só por hoje 11-04...
Meditação do Dia
Quinta, 11 de Abril de 2013
Uma mente fechada
"Uma ideia nova não pode ser enxertada numa mente fechada... Uma mente aberta conduz-nos a um discernimento que sempre nos escapou." Texto Básico, p. 107
Chegámos a NA quando as nossas vidas não podiam estar mais em baixo. Já não sabíamos o que fazer. Aquilo de que mais precisávamos quando chegámos aqui eram ideias novas, novas formas de viver, vindas da experiência de pessoas que haviam visto essas ideias a funcionar. Mas as nossas mentes fechadas impediam-nos de absorver essas mesmas ideias de que necessitávamos para viver. A negação não nos deixa compreender o quanto precisamos de novas ideias e de um novo caminho. Ao admitirmos a nossa impotência e ao reconhecermos o quão desgovernadas as nossas vidas se tornaram, estamos a permitir-nos ver o quanto precisamos do que NA tem para dar. A auto-suficiência e a vontade próprias podem impedir-nos até de admitir a possibilidade da existência de um Poder superior a nós mesmos. Contudo, quando admitimos o estado miserável a que a vontade própria nos conduziu, abrimos os nossos olhos e as nossas mentes a novas possibilidades. Quando os outros nos falam de um Poder que trouxe sanidade às suas vidas, começamos a acreditar que esse Poder poderá fazer o mesmo por nós. Uma árvore despida dos seus ramos morre se não lhe enxertarem novos ramos. Da mesma forma, a adicção despiu-nos de toda a direcção que tínhamos. Para crescer, ou mesmo para sobreviver, temos de abrir as nossas mentes e deixar que novas ideias sejam introduzidas nas nossas vidas.
Só por hoje: Vou pedir ao meu Poder Superior que abra a minha mente às ideias novas de recuperação.
Só por hoje: Vou pedir ao meu Poder Superior que abra a minha mente às ideias novas de recuperação.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
REFLEXÃO DIÁRIA - 10 DE ABRIL
REFLEXÃO DIÁRIA - 10 DE ABRIL
CRESCENDO
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 115
Algumas vezes quando me torno disposto a fazer o que deveria fazer o tempo todo, desejo louvor e reconhecimento. Não percebo que quanto mais estiver disposto a agir de uma maneira diferente, mais excitante é a minha vida. Quanto mais estou disposto a ajudar os outros, mais recompensa recebo. Isto é o que a prática dos princípios significa para mim. Alegria e benefícios para mim estão na disposição de fazer as ações, não em obter resultados imediatos. Sendo um pouco mais amável, um pouco menos agressivo e um pouco mais amoroso, faz com que minha vida seja melhor - dia-a-dia.
CRESCENDO
A essência de todo crescimento é uma disposição de mudar para melhor e uma disposição incansável de aceitar qualquer responsabilidade que essa mudança implique.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 115
Algumas vezes quando me torno disposto a fazer o que deveria fazer o tempo todo, desejo louvor e reconhecimento. Não percebo que quanto mais estiver disposto a agir de uma maneira diferente, mais excitante é a minha vida. Quanto mais estou disposto a ajudar os outros, mais recompensa recebo. Isto é o que a prática dos princípios significa para mim. Alegria e benefícios para mim estão na disposição de fazer as ações, não em obter resultados imediatos. Sendo um pouco mais amável, um pouco menos agressivo e um pouco mais amoroso, faz com que minha vida seja melhor - dia-a-dia.
Acreditar
Acreditar
Você precisa ter sonhos, para que possa se levantar todas as vezes que cair.
Acreditar, que a toda hora, acontecerá coisas boas e mudará o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos, os pequenos, são as felicidades mais rápidas, os grandes, lhe darão força para suportar o fracasso dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias, assim como se rega uma planta, para que cresça ...
Você precisa dizer sempre, a você mesmo:
vou conseguir! vou superar! vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você estará cultivando sua luz, a luz de sempre ter esperanças, que nunca poderá se apagar, pois ela é a imagem que você pode passar para as outras pessoas, e é através dessa luz que todos vão lhe admirar, acreditar em você e te seguir.
Mire na Lua, pois se você não puder atingi-la, com certeza irá conhecer grandes estrelas... ou, poder ser uma delas.
Fonte:(Autorizado por www.netmarkt.com.br)
Você precisa ter sonhos, para que possa se levantar todas as vezes que cair.
Acreditar, que a toda hora, acontecerá coisas boas e mudará o rumo da sua vida.
Você precisa ter sonhos grandes e pequenos, os pequenos, são as felicidades mais rápidas, os grandes, lhe darão força para suportar o fracasso dos sonhos pequenos.
Você tem que regar os teus sonhos todos os dias, assim como se rega uma planta, para que cresça ...
Você precisa dizer sempre, a você mesmo:
vou conseguir! vou superar! vou chegar no meu sonho!
Fazendo isso, você estará cultivando sua luz, a luz de sempre ter esperanças, que nunca poderá se apagar, pois ela é a imagem que você pode passar para as outras pessoas, e é através dessa luz que todos vão lhe admirar, acreditar em você e te seguir.
Mire na Lua, pois se você não puder atingi-la, com certeza irá conhecer grandes estrelas... ou, poder ser uma delas.
Fonte:(Autorizado por www.netmarkt.com.br)
Gestantes usuárias de drogas terão centro para tratamento
Gestantes usuárias de drogas terão centro para tratamento
Bonde
O primeiro centro municipal para tratamento de gestantes usuárias de drogas do Brasil vai ser criado em Curitiba. A informação foi divulgada na sessão desta segunda-feira (8) pela vereadora Noemia Rocha (PMDB).
De acordo com a parlamentar, que é líder da oposição na Câmara Municipal, a implantação do novo serviço foi confirmada pelo prefeito Gustavo Fruet e pela presidente da Fundação de Ação Social, Marcia Fruet.
"Estou muito feliz, pois será um grande avanço para a cidade, visto que a medida protege as mães e as crianças curitibanas. Fiquei satisfeita, pois tenho lutado por esta causa e sugeri a implantação da medida, que foi aceita pelo poder Executivo", salientou.
Ainda de acordo com Noemia Rocha, o serviço vai oferecer abrigo para as dependentes químicas, que receberão tratamento e poderão ter seus filhos em segurança. "Haverá um salão de beleza no local para atender as usuárias, resgatar sua autoestima e que servirá também como ferramenta de capacitação profissional", relatou.
Por fim, Rocha acrescentou que o prefeito firmou o compromisso de criar novos equipamentos públicos para atender e recuperar os usuários de drogas da cidade.
Para o líder do governo na Câmara, vereador Pedro Paulo (PT), o tema é fundamental para toda a sociedade e o município tem promovido diversas ações no sentido de ampliar o atendimento às famílias que sofrem com a drogadição.
"Recentemente, tivemos um caso de repercussão nacional, do cantor Chorão, que morreu por overdose de cocaína, conforme laudo pericial. Isso gera um questionamento sobre o que estamos fazendo para enfrentar esse tipo de situação, em especial para os nossos jovens. As audiências públicas da prefeitura estão sendo realizadas e esse debate entre sociedade e poder público deve continuar", concluiu.
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
Overdose é problema de saúde pública
Overdose é problema de saúde pública
Correio Braziliense
A morte de Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr., por ingestão de grande quantidade de cocaína — quase cinco vezes maior do que já seria configurado como overdose —, trouxe à tona um problema grave de saúde pública no Brasil. O número de mortes por autointoxicação cresceu 65% em uma década, passando de 916 em 2000 para 1.516 em 2010 (veja o quadro).
As autoridades não têm números consolidados sobre as substâncias mais usadas pelas quase 25 mil pessoas que morreram no período.
Entram na estatística diferentes situações, desde a overdose clássica, como a que vitimou o roqueiro, até as vidas perdidas por doenças crônicas em decorrência do uso de entorpecentes ou por crises de abstinência.
Os dados, levantados a pedido do Correio pelo Ministério da Saúde, revelam apenas uma parte pequena do problema. Isso porque nem todas as mortes por esse tipo de intoxicação são notificadas. Além de o tema ser sensível, as autópsias nem sempre conseguem conectar a causa da morte ao uso de alguma substância tóxica. “Na verdade, é bastante incomum que se tire essa conclusão. Na maioria das vezes, a pessoa não morre na hora. Ela é socorrida, vai para um hospital. Durante esse tempo, o corpo metaboliza parte da substância”, diz Malthus Galvão, professor de medicina legal da Universidade de Brasília (UnB).
Ele considera a cocaína uma das substâncias mais perigosas porque a distância entre a dose recreativa e a que configura overdose, cerca de 1 micrograma por mililitro de sangue, é pequena em relação a outras substâncias — no caso de Chorão, a concentração de cocaína no sangue era quase cinco vezes maior. “O indivíduo desenvolve tolerância, que leva à necessidade de consumir mais para ter o mesmo efeito. E não percebe que está chegando ao ponto letal. Fenômeno incomum com outras substâncias que causam, quando usadas excessivamente, uma sensação popularmente conhecida como empapuçamento, ou seja, o indivíduo não consegue consumir mais na mesma ocasião”, explica Galvão.
Apesar de existir parâmetros descritos cientificamente, a dose letal tem relação com a condição clínica do usuário, de acordo com o psiquiatra Carlos Salgado, ex-presidente da Associação Brasileira de Álcool e Drogas (Abead). “Muitas vezes, até por um problema de saúde não conhecido, como uma cardiopatia, o sujeito ingere uma quantidade de droga que não causa nada para o amigo, mas que, para ele, será mortal”. Da mesma forma como há pessoas que resistem a dosagens mais elevadas.
Efeitos diferentes
O coração é o órgão mais frequentemente sobrecarregado pelo consumo de drogas. Mas a forma como ele entra em colapso depende muito do tipo de substância consumida. Álcool e maconha, por exemplo, são chamados de depressores porque fazem o organismo trabalhar mais lentamente, levando à sonolência, coma e parada cardiorrespiratória, descreve Salgado. A cocaína e o ecstasy são exemplos de estimulantes. Aceleram os batimentos, elevam a pressão arterial, comprimem as artérias e diminuem a irrigação sanguínea, podendo levar a um acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio.
O aumento no número de mortes por overdose está em sintonia com as estatísticas de usuários de drogas no país. A literatura nacional aponta que 12% da população brasileira tem algum nível de dependência em álcool. No caso da cocaína, 4,6 milhões de brasileiros já a experimentaram ao menos uma vez na vida — metade fez uso da droga no último ano —, o que representa 2% da população adulta. Os dependentes somam 1 milhão de pessoas. E pouco mais de 3 milhões fumam maconha frequentemente. Só entre os adolescentes, são 470 mil usuários recorrentes.
“O indivíduo desenvolve tolerância à cocaína, que leva à necessidade de consumir mais para ter o mesmo efeito. E não percebe que está chegando ao ponto letal”
Malthus Galvão, professor de medicina legal da UnB
Escalada de mortes
Número de vítimas de autointoxicação em 10 anos:
2000 916
2001 1.101
2002 1.231
2003 1.292
2004 1.187
2005 1.334
2006 1.400
2007 1.443
2008 1.532
2009 1.383
2010 1.516
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
Correio Braziliense
A morte de Chorão, líder da banda Charlie Brown Jr., por ingestão de grande quantidade de cocaína — quase cinco vezes maior do que já seria configurado como overdose —, trouxe à tona um problema grave de saúde pública no Brasil. O número de mortes por autointoxicação cresceu 65% em uma década, passando de 916 em 2000 para 1.516 em 2010 (veja o quadro).
As autoridades não têm números consolidados sobre as substâncias mais usadas pelas quase 25 mil pessoas que morreram no período.
Entram na estatística diferentes situações, desde a overdose clássica, como a que vitimou o roqueiro, até as vidas perdidas por doenças crônicas em decorrência do uso de entorpecentes ou por crises de abstinência.
Os dados, levantados a pedido do Correio pelo Ministério da Saúde, revelam apenas uma parte pequena do problema. Isso porque nem todas as mortes por esse tipo de intoxicação são notificadas. Além de o tema ser sensível, as autópsias nem sempre conseguem conectar a causa da morte ao uso de alguma substância tóxica. “Na verdade, é bastante incomum que se tire essa conclusão. Na maioria das vezes, a pessoa não morre na hora. Ela é socorrida, vai para um hospital. Durante esse tempo, o corpo metaboliza parte da substância”, diz Malthus Galvão, professor de medicina legal da Universidade de Brasília (UnB).
Ele considera a cocaína uma das substâncias mais perigosas porque a distância entre a dose recreativa e a que configura overdose, cerca de 1 micrograma por mililitro de sangue, é pequena em relação a outras substâncias — no caso de Chorão, a concentração de cocaína no sangue era quase cinco vezes maior. “O indivíduo desenvolve tolerância, que leva à necessidade de consumir mais para ter o mesmo efeito. E não percebe que está chegando ao ponto letal. Fenômeno incomum com outras substâncias que causam, quando usadas excessivamente, uma sensação popularmente conhecida como empapuçamento, ou seja, o indivíduo não consegue consumir mais na mesma ocasião”, explica Galvão.
Apesar de existir parâmetros descritos cientificamente, a dose letal tem relação com a condição clínica do usuário, de acordo com o psiquiatra Carlos Salgado, ex-presidente da Associação Brasileira de Álcool e Drogas (Abead). “Muitas vezes, até por um problema de saúde não conhecido, como uma cardiopatia, o sujeito ingere uma quantidade de droga que não causa nada para o amigo, mas que, para ele, será mortal”. Da mesma forma como há pessoas que resistem a dosagens mais elevadas.
Efeitos diferentes
O coração é o órgão mais frequentemente sobrecarregado pelo consumo de drogas. Mas a forma como ele entra em colapso depende muito do tipo de substância consumida. Álcool e maconha, por exemplo, são chamados de depressores porque fazem o organismo trabalhar mais lentamente, levando à sonolência, coma e parada cardiorrespiratória, descreve Salgado. A cocaína e o ecstasy são exemplos de estimulantes. Aceleram os batimentos, elevam a pressão arterial, comprimem as artérias e diminuem a irrigação sanguínea, podendo levar a um acidente vascular cerebral ou infarto do miocárdio.
O aumento no número de mortes por overdose está em sintonia com as estatísticas de usuários de drogas no país. A literatura nacional aponta que 12% da população brasileira tem algum nível de dependência em álcool. No caso da cocaína, 4,6 milhões de brasileiros já a experimentaram ao menos uma vez na vida — metade fez uso da droga no último ano —, o que representa 2% da população adulta. Os dependentes somam 1 milhão de pessoas. E pouco mais de 3 milhões fumam maconha frequentemente. Só entre os adolescentes, são 470 mil usuários recorrentes.
“O indivíduo desenvolve tolerância à cocaína, que leva à necessidade de consumir mais para ter o mesmo efeito. E não percebe que está chegando ao ponto letal”
Malthus Galvão, professor de medicina legal da UnB
Escalada de mortes
Número de vítimas de autointoxicação em 10 anos:
2000 916
2001 1.101
2002 1.231
2003 1.292
2004 1.187
2005 1.334
2006 1.400
2007 1.443
2008 1.532
2009 1.383
2010 1.516
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
Só por hoje 10-04...
Meditação do Dia
Quarta, 10 de Abril de 2013
Demasiado ocupados
"Precisamos de praticar aquilo que aprendemos ou arriscamo-nos a perder tudo, não importa há quanto tempo estejamos limpos." Texto Básico, p. 96
Quando já temos algum tempo limpo, alguns de nós têm a tendência de esquecer qual é a nossa prioridade mais importante. Uma vez por semana, ou menos, dizemos: "Tenho de ir esta noite a uma reunião. Há mais de..." Estamos tão ocupados com outras coisas, decerto importantes, mas não mais do que a nossa contínua participação em Narcóticos Anónimos. Acontece aos poucos. Arranjamos trabalhos. Reunimo-nos às nossas famílias. Temos de tomar conta dos filhos, o cão está doente, ou temos aulas à noite. A casa precisa de ser limpa. Temos de regar as plantas. Temos de trabalhar até tarde. Estamos cansados. Dá hoje um filme óptimo. E, de repente, vemos que já vai algum tempo que não falamos com o nosso padrinho ou madrinha, que não vamos a uma reunião, que não falamos com um recém-chegado, ou mesmo que não falamos com Deus. O que é que fazemos nestas alturas? Bom, ou renovamos o nosso compromisso com a nossa recuperação, ou continuamos demasiado ocupados para recuperar até que aconteça algo e as nossas vidas se tornem ingovernáveis. Mas que escolha! O melhor que teremos a fazer é pôr mais energias na manutenção dos alicerces da recuperação sobre os quais se constroiem as nossas vidas. Esses alicerces tornam tudo o resto possível, e decerto que irão ruir se nos deixarmos ocupar por tudo o resto.
Só por hoje: Não posso dar-me ao luxo de estar demasiado ocupado para recuperar. Hoje vou fazer algo que mantenha a minha recuperação.
Só por hoje: Não posso dar-me ao luxo de estar demasiado ocupado para recuperar. Hoje vou fazer algo que mantenha a minha recuperação.
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