Uso de drogas começa pelo álcool
O Diário
Consequências do Álcool: afeta mecanismo cerebral de tomada de decisões.
Quanto mais cedo uma criança passa a ingerir álcool, maior é o prejuízo para o seu desenvolvimento cerebral e cognitivo, pois a substância afeta a área relacionada à tomada de decisões. Mais do que isso, o levantamento revela que os estudantes que usaram álcool demonstraram ter uma probabilidade até 16 vezes maior de uso de outras drogas. “Existe muita informação errada em relação às drogas em geral; inconscientemente passa-se a mensagem de que o álcool não é droga.
O que acontece é que o “lobby” do cigarro e o da bebida são muito fortes. Por isso se passa uma má impressão de que realmente o grande problema é a maconha, quando na realidade não é”, explica o professor de Psiquiatria Dagoberto Hungria Requião, do curso de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Há vários fatores que incentivam o consumo de álcool por adolescentes, segundo artigo dos pesquisadores Sérgio Duailibi e Ronaldo Laranjeira, do Instituto Nacional para Políticas Públicas do Álcool e Drogas do Departamento de Psiquiatria da Unifesp.
Entre eles, a propaganda direcionada a esse público, a disponibilidade da bebida em locais de fácil acesso, como postos de gasolina, e promoções do tipo open bar (com bebida liberada a partir do pagamento de entrada). No caso do álcool e do cigarro, que são substâncias legalizadas, mesmo havendo leis que proíbam a comercialização a menores de 18 anos, os adolescentes acabam tendo acesso a ambos. Além disso, o preço é baixo: com R$ 5,00 é possível comprar uma caixa de cigarros e uma dose de cachaça em um bar de rua.
Outro fator que contribui para o consumo é a aceitação dentro de casa. “Festa de um ano de criança tem bebida? Tem a pretexto de servir aos pais. É nesse tipo de festa que ocorrem os primeiros usos, sob o olhar complacente ou sob a ignorância dos pais”, diz o psiquiatra Carlos Salgado, conselheiro da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead).
André Soares Saba, Psicólogo e Presidente da Casa do Oleiro Especializando em Dependência Química pela UNIFESP
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
terça-feira, 16 de abril de 2013
Entre os mais pobres, 71% abusam do álcool
Entre os mais pobres, 71% abusam do álcool
Estado de S. Paulo
Sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por mês bebem de forma abusiva. O consumo, que já era bastante expressivo, aumentou muito nessa parcela da população nos últimos seis anos, segundo o Levantamento Nacional de Álcool, feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“O fenômeno neutraliza benefícios da melhoria de renda e ajuda a perpetuar o ciclo de baixa qualidade de vida”, avalia o coordenador do trabalho, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.
O levantamento mostra que, quanto menor a renda, maior o consumo excessivo de álcool. Na classe E, 71% bebem de forma exagerada; na C o índice é de 60%, na B de 56% e na A de 45%. A lógica se repete quando se analisa o crescimento do consumo excessivo entre os diferentes grupos sociais. Quanto menor a renda, maior o aumento no período avaliado, de 20006 a 2012 (mais informações nesta pág.).
O estudo foi feito com base em dados de 4.607 pessoas com mais de 14 anos, coletados em 149 municípios.
Para homens, é considerado beber de forma abusiva o consumo de ao menos cinco doses de bebida em um período de duas horas. Entre mulheres, a relação é de quatro doses em duas horas. Uma dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de pinga.
Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, especializado em pesquisas de consumo nas classes C e D, a melhora do padrão de vida promove a diversificação de compras de produtos industrializados. E, assim, o álcool vem ganhando espaço. O Data Popular observou dois movimentos que evidenciam a melhoria da renda, que se destacam no Nordeste: “Quem começa a ganhar mais dinheiro na classe C passa a comprar destilados como uísque e vodka, enquanto as classes D e E mudam da pinga para a cerveja”.
Meirelles relata as razões para o consumo ter se modificado. “Antes, a bebida era vinculada ao ‘esquecer da vida’; o consumo de álcool principalmente nas classes C e D era atrelado a uma espécie de fuga. O que a gente começa a encontrar hoje é o álcool associado aos momentos de lazer, entretenimento e celebração.”
Saúde pública. Para Laranjeira, o fenômeno trará problemas a curto e médio prazo. “Não tenho dúvida de que, dentro de alguns anos, esse aumento poderá ser visto nas contas públicas.” Ele observa que as classes menos privilegiadas dependem essencialmente de serviços públicos de saúde. “O consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer e outras doenças. Isso acabará no SUS.”
L., de 61 anos, é um exemplo de quem teve de recorrer à rede pública. Em tratamento há dois anos e meio, ele conta que passou a beber quando era adolescente, mas foi aos 50 anos que percebeu que a situação estava fora de controle. “Começava às 8 horas e continuava ao longo do dia.”
L. faz artesanato em madeira com a mulher, mas a renda dos dois não chega a dois salários mínimos. “A falta de perspectivas financeiras piora a situação. Problemas com dinheiro me estimulam a beber”, diz.
Para o médico Vilmar Ezequiel dos Santos, gerente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Santana, é preciso compreender o consumo do álcool em cada uma das classes sociais. “A forma de consumir, o valor que se dá ao consumo e o desfecho do problema em cada uma das camadas da sociedade são diversos.” Embora tenha havido mudanças, Santos destaca que nas classes D e E o álcool é socialmente mais aceitável.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 329 Caps, com capacidade para realizar 7,8 milhões de atendimentos ao ano. De 2011 para 2012, os procedimentos aumentaram 25,8%.
Laranjeira diz que os resultados do estudo evidenciam o quanto as pessoas mais pobres sofrem com a ausência de uma estratégia efetiva do governo para a prevenção do abuso de álcool. “Essa política é acovardada”, constata. “A única mensagem que ouvimos é a de não associar direção e bebida. Todos, incluindo o Ministério da Saúde, ficam cheios de dedos para colocar em prática ações mais agressivas.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
Estado de S. Paulo
Sete entre cada dez brasileiros que ganham menos de R$ 1 mil por mês bebem de forma abusiva. O consumo, que já era bastante expressivo, aumentou muito nessa parcela da população nos últimos seis anos, segundo o Levantamento Nacional de Álcool, feito pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
“O fenômeno neutraliza benefícios da melhoria de renda e ajuda a perpetuar o ciclo de baixa qualidade de vida”, avalia o coordenador do trabalho, Ronaldo Laranjeira, da Unifesp.
O levantamento mostra que, quanto menor a renda, maior o consumo excessivo de álcool. Na classe E, 71% bebem de forma exagerada; na C o índice é de 60%, na B de 56% e na A de 45%. A lógica se repete quando se analisa o crescimento do consumo excessivo entre os diferentes grupos sociais. Quanto menor a renda, maior o aumento no período avaliado, de 20006 a 2012 (mais informações nesta pág.).
O estudo foi feito com base em dados de 4.607 pessoas com mais de 14 anos, coletados em 149 municípios.
Para homens, é considerado beber de forma abusiva o consumo de ao menos cinco doses de bebida em um período de duas horas. Entre mulheres, a relação é de quatro doses em duas horas. Uma dose equivale a uma lata de cerveja, uma taça de vinho ou uma dose de pinga.
Segundo Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, especializado em pesquisas de consumo nas classes C e D, a melhora do padrão de vida promove a diversificação de compras de produtos industrializados. E, assim, o álcool vem ganhando espaço. O Data Popular observou dois movimentos que evidenciam a melhoria da renda, que se destacam no Nordeste: “Quem começa a ganhar mais dinheiro na classe C passa a comprar destilados como uísque e vodka, enquanto as classes D e E mudam da pinga para a cerveja”.
Meirelles relata as razões para o consumo ter se modificado. “Antes, a bebida era vinculada ao ‘esquecer da vida’; o consumo de álcool principalmente nas classes C e D era atrelado a uma espécie de fuga. O que a gente começa a encontrar hoje é o álcool associado aos momentos de lazer, entretenimento e celebração.”
Saúde pública. Para Laranjeira, o fenômeno trará problemas a curto e médio prazo. “Não tenho dúvida de que, dentro de alguns anos, esse aumento poderá ser visto nas contas públicas.” Ele observa que as classes menos privilegiadas dependem essencialmente de serviços públicos de saúde. “O consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta o risco de câncer e outras doenças. Isso acabará no SUS.”
L., de 61 anos, é um exemplo de quem teve de recorrer à rede pública. Em tratamento há dois anos e meio, ele conta que passou a beber quando era adolescente, mas foi aos 50 anos que percebeu que a situação estava fora de controle. “Começava às 8 horas e continuava ao longo do dia.”
L. faz artesanato em madeira com a mulher, mas a renda dos dois não chega a dois salários mínimos. “A falta de perspectivas financeiras piora a situação. Problemas com dinheiro me estimulam a beber”, diz.
Para o médico Vilmar Ezequiel dos Santos, gerente do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) de Santana, é preciso compreender o consumo do álcool em cada uma das classes sociais. “A forma de consumir, o valor que se dá ao consumo e o desfecho do problema em cada uma das camadas da sociedade são diversos.” Embora tenha havido mudanças, Santos destaca que nas classes D e E o álcool é socialmente mais aceitável.
De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil tem 329 Caps, com capacidade para realizar 7,8 milhões de atendimentos ao ano. De 2011 para 2012, os procedimentos aumentaram 25,8%.
Laranjeira diz que os resultados do estudo evidenciam o quanto as pessoas mais pobres sofrem com a ausência de uma estratégia efetiva do governo para a prevenção do abuso de álcool. “Essa política é acovardada”, constata. “A única mensagem que ouvimos é a de não associar direção e bebida. Todos, incluindo o Ministério da Saúde, ficam cheios de dedos para colocar em prática ações mais agressivas.”
Fonte:ABEAD(Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
Só por hoje 16-04...
Meditação do Dia
Terça, 16 de Abril de 2013
"Fingir que..."
"O que hoje procuramos são soluções, não problemas. Tentamos aplicar aquilo que aprendemos." Texto Básico, p.65
A primeira vez que ouvimos dizer que deveríamos "fingir que", muitos de nós exclamaram: "Mas isso não é honesto! Julgava que em Narcóticos Anónimos era suposto sermos honestos quanto aos nossos sentimentos." Talvez possamos reflectir sobre quando chegámos pela primeira vez ao programa. Talvez não acreditassemos em Deus, mas mesmo assim rezávamos. Ou talvez não estivéssemos tão certos de que o programa iria resultar para nós, mas continuamos a vir a reuniões, não importava o que pensássemos. O mesmo aplica-se quando progredimos em recuperação. Podemos ter um terror das multidões, mas se agirmos com confiança e estendermos a mão, não só nos sentiremos melhor connosco, como iremos também descobrir que já não estamos tão receosos de grandes ajuntamentos. Cada acção que tomarmos com esta atitude mais depressa noe tornaremos nas pessoas que éramos supostos ser. Cada mudança positiva que fizermos constrói a nossa auto-estima. Ao nos comportarmos de forma diferente, iremos compreender que estamos também a começar a pensar de forma diferente. Estamos a começar a viver no caminho certo através do "fingir que".
Só por hoje: Vou aproveitar para fingir que consigo aceitar uma situação que antes receava enfrentar
Só por hoje: Vou aproveitar para fingir que consigo aceitar uma situação que antes receava enfrentar
segunda-feira, 15 de abril de 2013
Reflexão diária 15-04...
DIÁRIAS - 15 DE ABRIL
REFLEXÕES
A ESCRAVIDÃO DOS RESSENTIMENTOS
... esse negócio de ressentimento é infinitamente grave, porque quando estamos abrigando estes sentimentos nos afastamos da luz do espírito.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 5.
Foi dito "Raiva é um luxo ao qual não posso me permitir".
Sugere isto que eu ignore esta emoção humana? Acredito que não. Antes de conhecer o programa de A.A., eu era um escravo dos moldes de comportamento do alcoolismo. Estava acorrentado à negatividade, sem esperança de soltar-me.
Os Passos me ofereceram uma alternativa. O Quarto passo é o início do final da minha escravidão. O Processo de "soltar-se" começa com um inventário. Não preciso ficar assustado, porque os Passos anteriores me garantem que não estou sozinho. Meu Poder Superior me guia até esta porta e me dá a dádiva da escolha.
Hoje posso escolher abrir a porta para a liberdade e alegrar-me na luz dos Passos, uma vez que purificam o espírito dentro de mim.
REFLEXÕES
A ESCRAVIDÃO DOS RESSENTIMENTOS
... esse negócio de ressentimento é infinitamente grave, porque quando estamos abrigando estes sentimentos nos afastamos da luz do espírito.
NA OPINIÃO DO BILL, p. 5.
Foi dito "Raiva é um luxo ao qual não posso me permitir".
Sugere isto que eu ignore esta emoção humana? Acredito que não. Antes de conhecer o programa de A.A., eu era um escravo dos moldes de comportamento do alcoolismo. Estava acorrentado à negatividade, sem esperança de soltar-me.
Os Passos me ofereceram uma alternativa. O Quarto passo é o início do final da minha escravidão. O Processo de "soltar-se" começa com um inventário. Não preciso ficar assustado, porque os Passos anteriores me garantem que não estou sozinho. Meu Poder Superior me guia até esta porta e me dá a dádiva da escolha.
Hoje posso escolher abrir a porta para a liberdade e alegrar-me na luz dos Passos, uma vez que purificam o espírito dentro de mim.
Domingo com o Padre Otair!!!!
O Eco das palavras nas relações interpessoais
Todos nós reconhecemos que a palavra tem força e poder. Força para estabelecer comunicação e confundir, para construir e destruir, para subjugar e elevar, para ferir e curar etc...
Nas linhas seguintes, procuraremos evidenciar uma tríade de frases, construídas a partir de nosso vocabulário de uso cotidiano, com o objetivo de indicar o que tais verbalizações podem ocasionar.
É comum encontrarmos nos diálogos interpessoais, frases do tipo: “Você tem que fazer isso” ou” Você deve fazer...” e ainda “Você pode fazer...”. Se olharmos despretensiosamente para essas frases, diríamos que as três formas de expressão dizem a mesma coisa, o que não é verdade. O ponto de vista de quem verbaliza ou que por ela tenta se comunicar será sempre diferente daquele que recepciona a mensagem.
Desse modo, ao nos dirigirmos a uma pessoa, com o intuito de estabelecermos uma relação dialogal é preciso antes considerar o estado emocional dela, o modo como ela se encontra, posicionando-se frente às situações diárias.
Não é difícil identificarmos dentro de grupos disputas pelo poder, pelo lugar do comando, tendo em vista, via de regra, a reprodução de um sistema de hierarquia. Nele encontramos sempre pessoas que estão dispostas a aconselhar e a dizer o que os outros tem, devem ou podem fazer. Observamos que o indivíduo, ao ouvir a frase do tipo “você tem que fazer isso”, sente-se obrigado, pelo outro, a cumprir tal ordem. Assim, se esta palavra soar aos ouvidos dele como sendo uma postura arrogante e autoritária, certamente teremos instaurado, nessa circunstância, um embate pessoal. A frase pronunciada delimita o campo de ação do sujeito e desperta a resistência em relação ao outro.
Por conseguinte, percebemos que a frase do tipo “você deve fazer”, ao ser verbalizada, é recebida com menor relutância, isto porque nela está embutida a noção do dever, daquilo que todos nós precisamos fazer para conviver socialmente. Embora haja o reconhecimento, da parte de quem escuta a instrução, vale considerar que não é agradável ser chamado à responsabilidade pelo outro. Ao ser advertido quanto ao que se deve fazer, a pessoa estará admitindo que não está cumprindo com suas obrigações e suas responsabilidades perante o grupo. Certamente a situação vivida causará desconforto, mas aos poucos poderá ser internalizada pelo receptor.
A última expressão da tríade que nos propomos analisar possui um caráter motivador. Ao ouvir a expressão, “você pode fazer”, percebemos que aquele que recebe a mensagem não se vê obrigado a realizar o que o outro diz e tampouco fica numa situação de desconforto. Ao contrário, sentirá o respaldo e a confiança que emana do outro, que o motiva a desafiar seus próprios limites e seguir adiante. Dizer para o outro “você pode”, equivale a dizer: “você é capaz”. Dessa forma, coloca-se diante dele um campo imenso de possibilidades a ser explorada e a construção de uma nova experiência de vida.
Contudo, não podemos desconsiderar que a maneira ou modo que nos dirigimos ao outro, afeta diretamente a percepção e interpretação do mesmo e, é justamente o resultado dessa operação que deixará em evidencia o poder e a força da palavra, como elemento constituinte de uma relação saudável entre iguais ou o surgimento de grandes embates.
Em suma, é o respeito à alteridade, a consciência de que a forma de ver o mundo se difere entre um e outro, a noção de que o processo evolutivo de cada sujeito se dá num tempo específico, e também a abertura para o que de novidade surge do outro, que faz a vida acontecer na sua diversidade e multiplicidade...
Frases para seu dia!!!!
Ajuda teu semelhante a levantar sua carga, mas não a carregues. (Tales de Mileto)
... Se pudéssemos aceitar nossos fracassos com serenidade, não seria tão difícil levantar-nos (Gordon)
... "Feliz de quem atravessa a vida inteira tendo mil razões para viver." (Dom Hélder Câmara)
... "O trabalho espanta três males: o vício, a pobreza e o tédio." (Voltaire)
Estudo da Unifesp estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool
Estudo da Unifesp estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool
Agência Brasil
Mais da metade das bebidas alcoólicas comercializadas no país (54%) são consumidas por 20% das pessoas que bebem.
O dado consta do 2° Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) divulgado hoje (10) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em termos gerais, o estudo estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool.
Para o professor Ronaldo Laranjeira, organizador da pesquisa, essa proporção demonstra o padrão de consumo de álcool no Brasil. "Apesar de 50% [da população brasileira] não consumirem bebida alcoólica, os que bebem, bebem de maneira abusiva", disse.
O 2º Lenad foi feito em 149 municípios em todas regiões do país. Foram entrevistadas 4.607 pessoas com acima de 14 anos de idade. De acordo com os pesquisadores da Unidade de Pesquisas em Álcool e Droga (Uniad) da Unifesp, a mostra é representativa da população brasileira. O primeiro levantamento foi feito em 2006.
O estudo constatou que houve um aumento de 20% na quantidade de brasileiros que consomem álcool uma vez ou mais por semana. Também houve aumento no número de pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool (quatro unidades para mulheres e cinco para homens) em um curto período de tempo (duas horas). Entre esses consumidores, essa forma de beber passou de 45%, em 2006, para 59% no ano passado.
A pesquisa destaca o aumento do consumo de álcool abusivo entre as mulheres. A proporção das que passaram a beber uma vez ou mais por semana cresceu 34,5% em seis anos, passando de 29% para 39%. Outro indicador que demonstra esse comportamento nocivo é o que avalia o consumo de álcool em relação ao tempo. As que ingerem quatro doses em até duas horas passaram de 36%, em 2006, para 49% no ano passado.
De acordo com os pesquisadores, quando comparado a outros países, no entanto, a taxa de pessoas que não bebem no Brasil é baixa, cerca de 50%. Na Argentina, por exemplo, os bebedores chegam a 84% da população, informou a pesquisadora Ilana Pinsky, que fez parte da comissão organizadora da pesquisa. "Apesar dessa diferença, o índice dos argentinos que bebem abusivamente é parecido com o nosso. Essa é uma característica do nosso país", explicou.
Entre os fatores que podem explicar o crescimento desse modo nocivo de beber, está a ascensão econômica da população nos últimos anos. "A grande mudança de 2006 para cá foi o aumento da renda, especialmente nas classes C e D. Quem não bebia continua não bebendo. Por isso não tivemos aumento do número de bebedores. Agora, quem já bebia vai ter a tendência de poder investir mais", apontou.
Laranjeira destaca ainda, como explicação para o aumento do consumo abusivo, a falta de política pública que desincentivem a ingestão de bebidas alcoólicas. "O mercado do álcool permanece intocado. Temos 1 milhão de pontos de venda que são estimulados a aumentar cada vez mais o consumo. Além do baixo preço de bebidas e as propagandas que estimulam os mais jovens a beber", ressaltou.
O professor avalia que as mudanças alcançadas no comportamento de beber e dirigir são exemplos de como as políticas orientadas nesse sentido podem gerar resultado. "Hoje, a única medida que existe em relação ao álcool em termos de fiscalização é a Lei Seca", disse. O levantamento mostra que houve redução de 21% na proporção de pessoas que relatam ter dirigido após consumir álcool. A maior queda ocorreu na Região Nordeste, com uma diminuição de 43%. Somente no Centro-Oeste houve aumento, de 37% para 40%.
O estudo traz ainda dados que relacionam violência ao consumo de bebidas alcoólicas. Em relação à violência na infância, por exemplo, das pessoas que foram agredidas fisicamente quando crianças, 20% delas apontaram que o agressor estava alcoolizado. Nos casos de violência doméstica, a presença do álcool foi apontada em 50% das respostas. Em termos estatísticos, isso representa 3,4 milhões de pessoas agredidas em casa por alguém alcoolizado.
Fonte: site antidrogas.com
Agência Brasil
Mais da metade das bebidas alcoólicas comercializadas no país (54%) são consumidas por 20% das pessoas que bebem.
O dado consta do 2° Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad) divulgado hoje (10) pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Em termos gerais, o estudo estima que 11,7 milhões de brasileiros são dependentes de álcool.
Para o professor Ronaldo Laranjeira, organizador da pesquisa, essa proporção demonstra o padrão de consumo de álcool no Brasil. "Apesar de 50% [da população brasileira] não consumirem bebida alcoólica, os que bebem, bebem de maneira abusiva", disse.
O 2º Lenad foi feito em 149 municípios em todas regiões do país. Foram entrevistadas 4.607 pessoas com acima de 14 anos de idade. De acordo com os pesquisadores da Unidade de Pesquisas em Álcool e Droga (Uniad) da Unifesp, a mostra é representativa da população brasileira. O primeiro levantamento foi feito em 2006.
O estudo constatou que houve um aumento de 20% na quantidade de brasileiros que consomem álcool uma vez ou mais por semana. Também houve aumento no número de pessoas que ingerem grandes quantidades de álcool (quatro unidades para mulheres e cinco para homens) em um curto período de tempo (duas horas). Entre esses consumidores, essa forma de beber passou de 45%, em 2006, para 59% no ano passado.
A pesquisa destaca o aumento do consumo de álcool abusivo entre as mulheres. A proporção das que passaram a beber uma vez ou mais por semana cresceu 34,5% em seis anos, passando de 29% para 39%. Outro indicador que demonstra esse comportamento nocivo é o que avalia o consumo de álcool em relação ao tempo. As que ingerem quatro doses em até duas horas passaram de 36%, em 2006, para 49% no ano passado.
De acordo com os pesquisadores, quando comparado a outros países, no entanto, a taxa de pessoas que não bebem no Brasil é baixa, cerca de 50%. Na Argentina, por exemplo, os bebedores chegam a 84% da população, informou a pesquisadora Ilana Pinsky, que fez parte da comissão organizadora da pesquisa. "Apesar dessa diferença, o índice dos argentinos que bebem abusivamente é parecido com o nosso. Essa é uma característica do nosso país", explicou.
Entre os fatores que podem explicar o crescimento desse modo nocivo de beber, está a ascensão econômica da população nos últimos anos. "A grande mudança de 2006 para cá foi o aumento da renda, especialmente nas classes C e D. Quem não bebia continua não bebendo. Por isso não tivemos aumento do número de bebedores. Agora, quem já bebia vai ter a tendência de poder investir mais", apontou.
Laranjeira destaca ainda, como explicação para o aumento do consumo abusivo, a falta de política pública que desincentivem a ingestão de bebidas alcoólicas. "O mercado do álcool permanece intocado. Temos 1 milhão de pontos de venda que são estimulados a aumentar cada vez mais o consumo. Além do baixo preço de bebidas e as propagandas que estimulam os mais jovens a beber", ressaltou.
O professor avalia que as mudanças alcançadas no comportamento de beber e dirigir são exemplos de como as políticas orientadas nesse sentido podem gerar resultado. "Hoje, a única medida que existe em relação ao álcool em termos de fiscalização é a Lei Seca", disse. O levantamento mostra que houve redução de 21% na proporção de pessoas que relatam ter dirigido após consumir álcool. A maior queda ocorreu na Região Nordeste, com uma diminuição de 43%. Somente no Centro-Oeste houve aumento, de 37% para 40%.
O estudo traz ainda dados que relacionam violência ao consumo de bebidas alcoólicas. Em relação à violência na infância, por exemplo, das pessoas que foram agredidas fisicamente quando crianças, 20% delas apontaram que o agressor estava alcoolizado. Nos casos de violência doméstica, a presença do álcool foi apontada em 50% das respostas. Em termos estatísticos, isso representa 3,4 milhões de pessoas agredidas em casa por alguém alcoolizado.
Fonte: site antidrogas.com
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