terça-feira, 13 de setembro de 2016

Brasileiros pesquisam vacina contra vício em cocaína



 


(Foto: AFP)
Jornal O Estado de S. Paulo
Cientistas do Departamento de Química Orgânica da Universidade Federal de Minas Gerais estudam há dois anos e meio molécula que estimula a produção de anticorpos contra a droga no sistema imunológico
AFP

Consumo de cocaína no Brasil é quatro vezes superior à média mundial

RIO - Pesquisadores brasileiros desenvolvem há dois anos e meio uma vacina com o objetivo de eliminar a dependência da cocaína, revelaram nesta segunda-feira, 5, participantes do projeto, que está em fase de testes com animais.

"Estamos desenvolvendo uma molécula que estimula a produção de anticorpos contra a cocaína no sistema imunológico", afirmou o professor Angelo de Fátima, do departamento de Química Orgânica da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). "Esses anticorpos capturam a cocaína, impedindo que ela chegue ao cérebro, e reduzem os efeitos de euforia da droga, o que leva o usuário a perder o interesse em consumi-la."

Fátima destacou que nos Estados Unidos existem pesquisas com o mesmo objetivo, mas com moléculas diferentes. "Nossa molécula é diferente da norte-americana. Na nossa falta a parte proteica", afirmou o brasileiro, sem revelar o nome da molécula utilizada, pois ela "ainda não foi patenteada".

Segundo o Escritório das Nações Unidas Contra a Droga (UNODC, sigla em inglês), o consumo da cocaína no Brasil é quatro vezes superior à média mundial. A vacina aparece como uma possibilidade de tratamento.

Em princípio, ela será aplicada somente em pacientes com forte motivação para abandonar a droga, receitada preventivamente a crianças ou adolescentes ou ainda como parte da luta contra o crack, um derivado barato da cocaína.
Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas 

UNICAMP descobre novas drogas sintéticas que podem matar usuários


 


Substâncias vêm disfarçadas em outros tipos de droga, como LSD e bala.

Perita criminal alerta para o perigo das drogas, cujo uso pode ser fatal.
Do G1 Campinas e Região

O Laboratório de Toxicologia da Faculdade de Medicina (FCM) da Unicamp, em Campinas (SP), identificou novas drogas sintéticas após casos de intoxicação em jovens na região: o fentanil e a butilona. Em agosto deste ano, durante uma semana, seis pessoas de Campinas (SP), Sumaré (SP) e Indaiatuba (SP) deram entrada em pronto-socorros com suspeita de intoxicação por drogas.

Segundo o toxicologista do Centro de Intoxicação da Unicamp (CCI), Rafael Lanaro, apesar de terem consequências mais graves, as drogas aparecem disfarçadas em outras, como LSD e bala. Devido a isso, o jovem pode consumi-las sem saber.

(...) pode levar à depressão do centro respiratório e neurológico e, consequentemente, à parada cardiorrespiratória"
Rafael Lanaro, toxicologista da Unicamp

Pior que heroína

De acordo com a forma que o fentanil é utilizado, o efeito pode ser 50 vezes maior que o da heroína. "É preocupante porque pode levar à depressão do centro respiratório e neurológico e, consequentemente, à parada cardiorrespiratória", explica Lanaro.

Já a butilona, produzida em laboratório, tem efeito estimulante e alucinógeno.

"Pode levar a um quadro de aumento da pressão arterial e dos batimentos cardíacos, estimulação elevada, convulsão e surto psicótico, além da morte. A interação dessas substâncias é uma incógnita, mas isso pode levar a um desfecho fatal".


Fentanil e butilona podem vir disfarçados em outras drogas, como LSD e bala (Foto: Reprodução/EPTV)

Lucro

A perita criminal, Sílvia Cazenave, explica que a utilização das substâncias pode ser explicada por aumento de lucro.

"Elas podem ser substituídas por vários motivos, um deles pode ser para aumento de lucro, porque a aquisição de uma substância nova pode ser mais fácil. Às vezes o traficante encontra algo com volume menor no uso e muitas vezes ela não é proibida, o que é melhor para a comercialização (...) Isso pode levar a uma intoxicação aguda, problemas crônicos de algo que se desconhece", explica.

O CCI emitiu alertas para todos os pronto-socorros da região com os sintomas que o uso dessas drogas pode causar nos usuários.
Fonte:UNIAD - Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas

O risco de morrer em um acidente de carro relacionado ao uso de álcoo


 

Acidentes envolvendo veículos são a principal causa de morte nos Estados Unidos em pessoas de 1 a 34 anos de idade. Praticamente metade das fatalidades no trânsito (17.700 em 1992) tem relação com o consumo de álcool. Mais, 2 de cada 5 pessoas naquele país terão algum grau de envolvimento com acidentes de veículo motorizados em algum momento de suas vidas. O risco de um acidente fatal aumenta rapidamente à medida que a concentração de álcool no sangue de um motorista aumenta. Uma concentração de 100 mg/dL aumenta em 7 vezes a chance daquele envolver-se em um acidente fatal. Caso a concentração de álcool seja de 150 mg/dL, este risco será 25 vezes maior.

Relatos mostram que pessoas que dirigem intoxicadas por álcool o fazem repetidamente. Para confirmar esta hipótese e a de que tais motoristas estariam sujeitos a um risco maior de acidentes fatais, pesquisadores estudaram as mortes em acidentes de carros por 10 anos no estado da Carolina do Norte, nos Estados Unidos. Os estudiosos compararam indivíduos com concentrações de álcool no sangue de 20 mg/dL ou mais (casos) com indivíduos com concentrações de álcool no sangue abaixo daquele valor (controles).

Um total de 1646 casos e 1474 controles foi comparado (todos estes faleceram em acidentes de carro). Quando comparados, os indivíduos de 21 a 34 anos do grupo de casos (concentração de álcool no sangue de no mínimo 20 mg/dL), tiveram chance 4,3 vezes maior de serem presos enquanto dirigiam. No total, houve 26% de prisões no grupo dos casos e 3% no grupo dos controles.

Os autores concluíram que o fato de dirigir sob efeito do álcool aumenta o risco de eventual morte por acidente de carro. Intervenção agressiva nos casos de prisões de pessoas que dirigem embriagadas poderia diminuir a chance de um futuro acidente com fatalidade.
Fonte:CISA - Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool

sábado, 3 de setembro de 2016

Alcoolismo: 10 danos à saúde


 

O consumo excessivo e continuado de álcool aumenta o risco para complicações de saúde. Os efeitos do álcool sobre cada indivíduo são diferentes e dependem de uma série de fatores, mesmo quando consumido em quantidades iguais. Além disso, ainda que o consumo leve a moderado de álcool - até uma ou duas doses* por dia, respeitando ao menos dois dias de intervalo em uma semana e não ultrapassando este limite - possa contribuir na diminuição do risco de doenças cardiovasculares, maiores quantidades podem elevar esse risco.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), não existe um padrão de consumo de álcool seguro e livre de riscos. Quando o uso de álcool assume um papel de destaque na vida do indivíduo, ocorrendo com muita frequência e em quantidades maiores que planejado, pode-se estar diante de um quadro de alcoolismo (saiba mais em: http://www.cisa.org.br/artigo/4010/-que-alcoolismo.php).

Confira a seguir como o alcoolismo implica aumento do risco para várias complicações de saúde, como doenças do fígado, problemas gastrointestinais, pancreatite, neuropatias periféricas, problemas cardiovasculares, prejuízos cerebrais, imunolóicos, anemias, osteoporose e câncer. Vale lembrar que, para algumas pessoas, de acordo com idade, gênero e aspectos individuais de saúde, o consumo pesado e continuado de bebidas alcoólicas por muitos anos, mesmo que não seja diagnosticado como alcoolismo, pode estar relacionado às doenças mencionadas.

Doenças do fígado
O álcool consumido é metabolizado pelo fígado e, por isso, esse órgão tem grande potencial de ser lesionado. A doença alcoólica de fígado é diretamente influenciada pela quantidade consumida de álcool e pelo uso crônico, isto é, ao longo de vários anos. Estima-se que entre 90% e 100% dos bebedores pesados crônicos desenvolvam doença hepática gordurosa (acúmulo de gordura no fígado) como consequência precoce e ainda reversível. Com a manutenção do consumo, o álcool pode causar inflamação do órgão - hepatite alcóolica. Até 40% desses casos podem evoluir para cirrose - inflamação crônica irreversível do fígado que altera sua capacidade de funcionar adequadamente. Os sintomas da insuficiência hepática, ou seja, do mau funcionamento do fígado, como náuses e vômitos, redução de apetite, amarelamento da parte branca dos olhos e da pele, e maior propensão a sangramentos, só aparecem quando um grande e irreversível dano ao órgão já ocorreu. Já os sinais, que podem ser identificados com exames complementares, como alteração de enzimas hepáticas, e das frações de proteínas, são alterados anteriormente.

Problemas gastrointestinais
O consumo excessivo de álcool pode causar lesões e inflamação no aparelho digestivo, como esôfago e estômago, com sangramentos, vômitos e sintomas de refluxo, como azia e dor na porção superior do abdômen. Além disso, o álcool interfere na secreção do suco gástrico (secreção produzida pelo estômago) e no tempo de esvaziamento estomacal, interferindo na digestão e no risco para desenvolvimento de úlceras.

Pancreatite
A pancreatite (inflamação do pâncreas) aguda é um quadro grave e muitas vezes exige que o indivíduo se dirija a serviço de pronto-atendimento para controle dos sintomas, como dor abdominal intensa. A repetição de quadros de pancreatite aguda pode levar à pancreatite crônica, com mau funcionamento do pâncreas de forma irreversível, o que causa outros problemas para a saúde. O abuso de álcool é a principal causa de pancreatite. Em geral, ocorre com o passar de 5 a 10 anos de consumo pesado e mantido. Como consequência, sabe-se que a taxa de mortalidade de pacientes com pancreatite alcoólica é cerca de 36% mais elevada do que para a população geral.

Neuropatia periférica
Aproximadamente 10% dos indivíduos alcoolistas desenvolvem um quadro de deterioração do funcionamento dos nervos dos pés e das mãos, resultando em sintomas de dormência, formigamento e outras alterações de sensibilidade. Os sintomas podem melhorar com a abstinência do álcool.

Problemas cardíacos e vasculares
O uso pesado de álcool aumenta a liberação de hormônios relacionados ao estresse que atuam na contração de vasos sanguíneos e influenciam na pressão arterial, podendo causar hipertensão. Além disso, o consumo pesado por período prolongado de álcool também leva ao aumento da fração nociva do colesterol (conhecido como LDL), triglicerídeos, e à alteração no funcionamento de plaquetas. Assim sendo, eventos como arritmias, inflamação do músculo cardíaco (miocardiopatia) e infartos agudos são consequências possíveis do alcoolismo. A mesma lógica que funciona para o prejuízo das artérias do coração, chamadas de coronárias, também existe para artérias de outros órgãos do corpo, como o cérebro; portanto, o beber pesado e crônico também aumenta o risco para acidente vascular cerebral (AVC).

Prejuízos cerebrais 
O álcool atua como depressor do sistema nervoso central, interferindo diretamente em mecanismos cerebrais. Seu uso excessivo pode causar dificuldades no raciocínio, como resolução de problemas simples, além de alterar o senso de perigo e o comportamento. Problemas de insônia e má qualidade do sono, com sensação de um sono “fragmentado”, são queixas comumente associadas ao uso abusivo de bebidas alcoólicas. O uso pesado e crônico pode prejudicar ainda o equilíbrio e a coordenação motora, devido ao seu efeito tóxico no cerebelo, além da diminuição dos reflexos, aumentando as chances de acontecerem quedas. Ainda, em indivíduos alcoolistas existe o risco de quadros de demência. Deficiências vitamínicas, como a da vitamina B1 (tiamina), contribuem para o risco de demência alcoólica, um quadro grave e irreversível.

Disfunções imunológicas
Pode ocorrer enfraquecimento e prejuízo no funcionamento do sistema imunológico com o uso pesado crônico de álcool, aumentando o risco de infecções, como pneumonia e tuberculose. Tal padrão de consumo de álcool interfere na contagem de células brancas no sangue e altera a capacidade de combater infecções. Além disso, durante o período inicial de intoxicação alcoólica pode ocorrer um estado pró-inflamatório, o que aumenta a chance de complicações se houver algum acidente ou lesão, ou se o indivíduo apresentar alguma doença pré-existente.

Anemia
Quadros de desnutrição relacionados ao uso pesado de álcool (o uso crônico de 4 a 8 doses ao dia, em média), e por muito tempo, podem ocorrer tanto por adotarem dieta nutricionalmente pobre como pela diminuída absorção de nutrientes no trato gastrointestinal. A deficiência de vitamina B12 ou ácido fólico, somada ao efeito tóxico do álcool, pode levar à anemia macrocítica ou megaloblástica. Neste quadro, a formação de glóbulos vermelhos (hemácias) fica alterada, levando a pior funcionamento e capacidade de levar o oxigênio às células do corpo.

Osteoporose
O consumo crônico de álcool ao longo da vida pode influenciar na saúde dos ossos, especialmente no processo de mineralização óssea, aumentando o risco de desenvolvimento de osteoporose em idades mais avançadas. O grande perigo da osteoporose é o maior risco de fraturas. Sabe-se ainda que o álcool pode interferir no equilíbrio metabólico do cálcio e na produção de vitamina D, o que pode contribuir para complicações ósseas. Para as mulheres, o consumo excessivo de álcool está relacionado ao maior aumento da perda óssea em todas idades.

Câncer
O consumo pesado de álcool está associado a vários tipos de câncer, como de boca, esôfago, laringe, estômago, fígado, colón, reto e de mama. Os agentes causadores não são todos conhecidos, mas sabe-se que especificamente o acetaldeído – um produto do metabolismo do álcool - pode ter efeitos cancerígenos (saiba mais em: http://www.cisa.org.br/artigo/6320/padroes-consumo-alcool-risco-para-desenvolvimento.php).
Fonte:CISA - Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool 

Metade dos alunos do 9º ano já provou álcool, aponta IBGE


 

Do total, 21,4% revelaram já ter sofrido algum episódio de embriaguez na vida
LeiaJá - Escrito em 27/08/2016
por Pernambuco Ig

Uma pesquisa divulgada nesta última sexta-feira (26), pelo Instituto Brasileiro de Geografias Estatísticas (IBGE), apontou que, mesmo sendo menores de idade, 55,5% dos estudantes brasileiros do último ano do ensino fundamental já experimentaram bebidas alcoólicas. Do total, 21,4% revelaram já ter sofrido algum episódio de embriaguez na vida.

Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar do Escolar (Pense), realizada em 2015, em parceria dos ministérios da Saúde e Educação. O estudo avaliou cerca de 102 mil questionários de alunos do país, de escolas públicas e privadas, com faixa etária entre 13 a 15 anos.

O levantamento apontou ainda que a alimentação dos estudantes também é preocupante, pois 41,6% dos entrevistados possuem o hábito de consumir em cinco dias ou mais, em uma semana normal, guloseimas (balas, confeitos, doces, chocolates, sorvetes e outros). O maior percentual foi registrado no Estado de São Paulo com 47,7%, que superou a média nacional. Por outro lado, Piauí apresentou o menor índice, com 31,2%.

Além disso, um número de 62,3% dos consultados não comiam legumes, nem tampouco consumiam frutas frescas com frequência durante a semana. O hábito de comer salgados fritos resultou em 31,3%, bem como beber refrigerantes semanalmente ou todos os dias, 26,7%.

Segundo o relatório, o resultado da pesquisa acende uma alerta sobre a falta de normas que estabeleçam a proibição desses tipos de alimentos dentro das escolas, resulta no comprometimento dos hábitos alimentares saudáveis para os estudantes.

Suicídio e uso de álcool entre adolescentes


 

O suicídio é a terceira causa de morte entre adolescentes na faixa etária dos 14 aos 18 anos. Estudos epidemiológicos identificaram alguns fatores que mostram associação estatisticamente significante com o suicídio. Entre eles estão a depressão, desesperança, impulsividade e o consumo de álcool e outras substâncias psicoativas.

Os modelos utilizados para a compreensão do suicídio, no geral, assumem que as relações entre este comportamento e seus fatores causais não variam de acordo com a idade. Como alternativa a esta compreensão, o modelo conceptual da psicopatologia do desenvolvimento permite a investigação de como e se a relação entre o suicídio e o consumo de álcool varia através das faixas etárias durante a vida das pessoas.

As informações utilizadas nesta pesquisa foram coletadas entre 1216 estudantes de segundo-grau de escolas públicas da cidade de Búfalo, estado de Nova York, EUA.

Os autores concluíram que a associação entre o consumo excessivo de álcool e o suicídio não é exclusiva e nem se constitui numa relação de causalidade linear e direta. Outros fatores, como dificuldades emocionais, beber para lidar com emoções desagradáveis e stress, fraco suporte familiar e porcentagem alta de amigos que usam álcool, também exercem influência importante nesta associação. A presença destes fatores influencia o desenvolvimento de depressão, experimentar situações estressantes e beber de maneira prejudicial, que por sua vez, são preditores do suicídio.

Os cientistas ponderam, ainda, que o consumo de álcool deve ser considerado um fator de risco geral para o suicídio, contrariamente ao beber até embriagar-se, que deve ser considerado um fator de risco específico, tanto para as tentativas de suicídio, quanto para as mortes por suicídio.
Fonte:CISA - Centro de Informações Sobre Saúde e Álcool